quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Experiências Compartilhadas

Acredito que a maioria de nós, não tivemos as mesmas oportunidades que nossos alunos tem hoje devido a era digital/informática (o que facilita).
Lembro-me que passava horas nas bibliotecas em busca de livros que me levasse para "outros mundos". Achei a fala do Contardo Calligaris maravilhosa, onde diz que "a leitura, liberta o ser humano". Assim, quero compartilhar com vocês algo mais recente, pois me identifiquei também com a fala da Anna Verônica Mauter, sobre "a dor do ressentimento" se eu nada tivesse feito.
Semana passada, tivemos um problema com indisciplina em uma sala de aula de 9º ano. Alguns alunos jogaram carteiras e cadeiras devido a professora ter fechado a porta deixando alguns alunos para fora. Não era minha aula como podem ter percebido. Mas me senti na obrigação de fazer algo por dois motivos:
1º - em defesa/solidariedade à minha colega (pois me coloquei no lugar dela) e
2º - por meus alunos.
Há uns quatro anos atrás achei por acaso na internet, uma reflexão sobre sala de aula, onde o professor fala de dois grupos, o de 5% Grupo de excelência e o de 95% Grupo dos "restos" e resolvi ler para essa turma. Para que pudessem refletir sobre as atitudes do dia anterior. E assim o fiz. Tive a primeira aula com eles no dia seguinte. Pedi alguns minutos da atenção de todos onde precisariam apenas ouvir a minha leitura. E foi simplesmente fantástico. Pois através da leitura, eles refletiram. Claro que alguns se manifestaram no primeiro grupo pela dedicação em seus estudos e tarefas, enquanto alunos. Mas os que se viram no grupo dos "restos", viram que suas posturas não os fazem melhores, eles se sentiram "mal" diante da situação e disseram querer mudar, passar a fazer parte do grupo de excelência. Também apresentei à eles o Art. 163 do CP pelo dano causado ao Patrimônio Público, mas claro que apenas para conhecimento, pois sabemos bem, isso não resolve. O caso foi resolvido, mas a minha satisfação é saber que eles tem demonstrado comportamentos melhores, ainda que seja por uma pequena reflexão. Senão se tornaram exemplos, mas ao menos refletiram sobre o que querem ser.
Colaboradora Hebe Silva


A minha lembrança de quando comecei a ler é muito viva, pois foi minha mãe, há alguns anos atrás em uma pequena cidade do nordeste, uma de minhas primeiras professoras.
Por isso, hoje, apesar da correria do dia-a-dia, acho necessário a participação dos pais, neste momento tão importante para a formação de um leitor.

Para isso acontecer, estamos estudando a possibilidade de abrirmos a biblioteca para emprestar livros aos pais dos nossos alunos.

Colaborador Julio Cesar Soares da Silva


No início de minha atividade escolar, ficava admirado ao ver o professor escrevendo na lousa. Via-o tracejando linhas paralelas no quadro e falava-nos para pegar o cadernos de caligrafia que havia nos dado e íamos acompanhando-o a fazer linhas. 
Isso era para nos adaptarmos a usar o lápis de forma correta.Passado algum tempo, nos deparamos com outro material que não saiu mais da minha cabeça: a cartilha "Caminho suave".
A parti daí, começamos a desenvolver as primeiras letras do alfabeto, também a utilizar as primeiras leituras que ficaram guardadas em minha memória e que nunca desaparecerá. Que alegria quando chegamos ao final do ano e já sabíamos organizar cada letra em palavra, como o nosso próprio nome. Graças a esse professor e a cartilha que nunca esqueci, foi possível desenvolver tantas coisas em minha vida, através da escrita e da leitura, como esta que estou a divulgar!

Colaborador José Rodrigues Alencar.

A linguagem um pouco rebuscada mas compreensível, me fez mergulhar na vida de "Aurélia Camargo", uma mulher forte, vencedora. Sofri e me emocionei com ela. Queria ser ela!
Depois desse livro, não parei mais! Li todos os livros ganhados e fiz uma carteirinha na biblioteca municipal.
Ano passado, tive a oportunidade de trabalhar na sala de leitura em uma escola da prefeitura de São Paulo. Que grande desafio! Uma professora de ciências, em uma área que até então era território do profissional de língua portuguesa. Li muitos livros, para selecionar aqueles que mais aguçasse o interesse pela leitura nos alunos. Li para eles livros, crônicas, artigos, contos! O que era mais gratificante é que quando eu terminava de ler algo, já se fazia filas para empréstimo daquele livro. Descobri que sou uma contadora de histórias e isso me divertiu muito!
Ler é um prazer sem igual!!

Colaboradora Helaine Cristina Almeida Ferreira

A leitura tem que ser construída (hábito) como escovar os dentes, porém na minha casa não havia livros e meus familiares nunca se interessaram ou se quer incentivaram a leitura de absolutamente nada.
Foi na escola que tive o primeiro contato com os livros infantis pequenas historinhas e livros coloridos com ilustrações, eu adorava e depois, mais tarde com as leituras obrigatórias que comecei a criar o hábito da leitura primeiro como obrigação pois sempre tinham os relatórios e a prova do livro, que nunca me causaram medo pois eu fazia a minha parte e tinha que ller rápido porque como livros são e sempre foram caros, às vezes comprávamos em grupo e cada um tinha alguns dias ou no máximo uma semana para ler o livro e fazer suas anotações, mas através deste contato com a leitura pude analisar o que eu gostava e o que não me agradava e assim busquei outras leituras, pegava livros emprestados com os amigos pois naquela época as bibliotecas públicas eram poucas e as escolas não possuíam o acervo que tem hoje.


Colaboradora Suze Paula Capabianco


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